Era uma vez uma plantinha…

Se você é o tipo de pessoa que sente que esta “toda errada”, que precisa mudar isso ou aquilo, a moral desta história pode te trazer uma perspectiva valiosa. Decidi compartilha-la, para que a experiência que tive com uma certa plantinha, possa ajudar outras pessoas, e evitar que você cometa os mesmos erros que eu cometi (e não estou falando apenas de jardinagem).

Era mais um dia comum, e em uma breve e ocasional visita a casa de uma amiga, elogiei uma de suas plantinhas, eu realmente admirei aquela plantinha. E pelo visto minha amiga percebeu que eu a valorizaria mais do que ela valorizava, e talvez por isso me deu a tal plantinha de presente, disse que eu poderia leva-la, quase como se a plantinha não fosse nada para ela. Então feliz da vida trouxe a plantinha para casa.

Coloquei-a na prateleira debaixo da TV, local de grande destaque na sala, sempre que passava a elogiava e minhas visitas faziam o mesmo. Só que a plantinha foi crescendo e começou a atrapalhar a passagem da sala, logo a coloquei sobre a churrasqueira da varanda, local sem tanto destaque assim (o mesmo local em que ficava na casa daquela minha amiga). Pode ser que aqui, ela estivesse se sentindo triste, mas ali ela pegaria mais sol, pensei.

O tempo foi passando e o cuidado e a atenção que eu dava a plantinha se tornavam cada vez menores. Até que um dia aquela minha amiga veio ocasionalmente me visitar e viu sua ex-plantinha.

– Estou quase a matando de sede. – comentei

-Imagina, ela é resistente. – respondeu ela com certo descaso.

Talvez eu tenha me deixado influenciar e estivesse menosprezando o valor daquela plantinha, uma vez que não eram todos que reconheciam sua beleza. Acho que acabei internalizando a ideia de que “vaso ruim não quebra”, sobre aquele serzinho. Quem disse que ela era ruim? Ou que não era boa o bastante? Ninguém, mas a ideia ficou ali, implícita.

Com o passar do tempo, sempre que eu ia mexer em minhas plantinhas, eu mexia naquela também, colocava em um vaso maior, ou menor do que o que estava até então. Eu não a dava sossego, não a deixava em paz, talvez por isso outras não resistiram. Só aquela plantinha ficava, porque ela era forte, ou insistente. Lembro de uma certa vez que decide separar suas mudas, a dividi em partes, uma em cada tipo de vaso, nessa ocasião varias “partes” suas ficaram sem vaso e morreram na pia da minha varanda. Hoje percebo que foi o começo do fim.

Por fim, aquela linda plantinha que eu tanto amava, não existia mais. Havia restado apenas uma muda, murcha e triste. Toda sua viscosidade, toda a vida estava se esvaindo. Por que? porque eu decide modificar o que já era perfeito. Quando me dei conta do erro que cometi, coloquei aquela muda de volta a seu vaso e lugar original, passei a cuidar dela novamente. Ela recuperou parte de sua vida, mas não é mais a mesma e nem nunca será.

Eu chorei muito pela perda da minha plantinha, afinal eu mesma era a culpada por tal fatalidade. No entanto, ela segue ali firme e forte, me lembrando diariamente de um dos maiores e mais dolorosos aprendizados que já tive até hoje: “Deus nos fez perfeitos, e todas as vezes que nos distanciamos de nossas raízes é como se uma parte nossa morresse. Passamos tanto tempo buscando a perfeição, consertando o que chamamos de defeitos que esquecemos que é isso que nos torna únicos. Que é na nossa individualidade, naquela coisa mais estranha que há em nós que mora nossa mais pura e perfeita essência.”

Eu chorei quando me dei conta que matei algo que amava, simplesmente porque eu achei que poderia ser melhor. Poderia ser mais reta, menos esvoaçada, mais padronizada… Quando na verdade ela já era tudo o que podia ser, e era perfeita daquele jeito. E o pior de tudo? Não tinha mais como voltar atras, aquela plantinha não seria mais como um dia admirei, porque eu quebrei partes delas que não poderiam ser restauradas. A ironia é que hoje, eu a amo ainda mais, mesmo que sempre que eu olhe para ela me doa na alma, porque foi um aprendizado, embora valioso, muito difícil.

Aquela plantinha mexeu comigo, pois me fez perceber que eu estava focando nas coisas erradas, querendo me moldar para caber em padrões que não eram meus, me fez parar de buscar uma resposta rápida no exterior e buscar algo duradouro que venha de dentro. Me tocou profundamente por me fazer perceber que eu precisa parar de matar partes de mim só para me tornar “melhor”, me fez voltar a ser eu mesma antes que me perdesse por completo.

Quantas vezes exigimos além da conta de nós mesmos, nos cobramos perfeição e esquecemos da nossa mais valiosa característica: ser humanos, e isso implica, imperfeitos e falhos. E é nas falhas que aprendemos e nas imperfeições que mora a nossa individualidade.
Em uma sociedade que busca arduamente padronizar as pessoas, no jeito de falar, de se vestir, de agir e de se parecer, eu espero do fundo do meu coração que você perceba antes que seja tarde demais, que a beleza vem do que é só seu. Desejo que você volte a ser você mesma sem receio de não caber, afinal você por si só, em essência já é mais do que suficiente.

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